Ministro Márcio Elias Rosa também se reuniu nesta quarta-feira (22) com entidades ligadas aos setores de madeira e móveis
O presidente da Centro Rochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais), Tales Machado, pediu ao governo que prorrogue por 120 dias o pagamento de tributos federais às empresas afetadas pela sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Segundo ele, o mercado americano é um importante comprador do mármore e do granito vendido pelas empresas do Brasil.
“A gente volta satisfeito. A gente tem uma concentração das exportações para os Estados Unidos”, disse Tales a jornalistas após a reunião.
No encontro, a Centro Rochas se posicionou contra o acionamento da Lei da Reciprocidade pelo governo federal. Na avaliação de Tales Machado, o melhor caminho para enfrentar a sobretaxa é a diplomacia.
Os empresários têm se posicionado contra a adoção da chamada “Lei da Reciprocidade”, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025. De acordo com o governo federal, o dispositivo legal será acionado no momento “adequado”. As empresas avaliam que a medida pode agravar ainda mais as exportações brasileiras.
Durante a manhã, o ministro Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) fez uma nova rodada de conversas com setores afetados pela tarifa de 25% que entrou em vigor na madrugada desta quarta-feira (22). Desde a última terça-feira (21), o governo federal vem realizando reuniões com empresários sobre o tema.
Veja a lista de entidades e empresas que participaram do encontro:
- Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente);
- Abirochas (Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais);
- Centro Rochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais);
- IBA (Indústria Brasileira de Árvores);
- Suzano;
- Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário).
A equipe econômica do governo Lula tem buscado dialogar com os setores com o objetivo de traçar uma estratégia para reagir ao tarifaço. O Palácio do Planalto tem sinalizado que vai focar em duas frentes: 1) diversificação de mercados; e 2) pacote de socorro às empresas afetadas, uma nova edição do Plano Brasil Soberano.
Na última terça-feira (22), o ministro Márcio Elias se reuniu com empresários dos setores de plástico, maquinários, calçados, borrachas e automotivo. As empresas pedem crédito para capital de giro e investimentos, além da possibilidade de adiar e parcelar seus tributos.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que 18% das exportações brasileiras aos EUA serão afetadas com a sobretaxa de 25%.
No radar do Departamento de Comércio americano, ainda há uma outra investigação em andamento que pode gerar uma outra taxa – de 12,5% – aos produtos brasileiros por suposta falha do Brasil no combate ao trabalho forçado.
A nova alíquota de 25% entrou em vigor na madrugada desta quarta-feira (22). Contudo, as mercadorias que já estiverem em trânsito e conseguirem ingressar nos Estados Unidos até 29 de julho não serão sobretaxadas.



