Serra do Curral vive semana decisiva para instalação de mineradora no local

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Cartão postal de Belo Horizonte, a Serra do Curral vive dias decisivos para seu futuro nesta semana. Na sexta-feira (29/4), está prevista uma reunião no Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) que pode autorizar a instalação de um empreendimento em uma área equivalente a cerca de 1.200 campos de futebol. O local é um ponto de desejo antigo das mineradoras, e ambientalistas alertam para impactos perigosos na capital mineira caso mais uma etapa do plano avance nos órgãos ambientais do Estado.

O plano da Tamisa inclui a exploração da região da Fazenda Ana da Cruz, que fica em Nova Lima, na divisa com a capital e próxima ao Pico Belo Horizonte, ponto mais alto da serra. O processo tem duas etapas, na primeira, espera-se extrair 31 milhões de toneladas de minério de ferro ao longo de 13 anos. Já a segunda fase consiste na lavra de 3 milhões de toneladas de itabirito friável rico, com dois anos de implantação e nove de operação.

O movimento “Tira o pé da minha serra” é a principal oposição civil à instalação da Tamisa/Complexo Minerário Serra do Taquaril (CMST) na região. De acordo com a organização, o processo de adequação da empresa às normas ambientais do Estado foi marcado por irregularidades e a mineração no local causaria sérios problemas à Belo Horizonte.

Entre os impactos previstos pelo movimento estão a destruição da biodiversidade na serra, que abriga quase 40 espécies de plantas e animais ameaçados de extinção; poluição do ar causada pelas explosões utilizadas para a extração do minério; a poluição sonora causada pela atividade mineradora em três turnos diários (manhã, tarde e madrugada); riscos de desabamentos ampliados pelas explosões e pela falta de vegetação que evita a erosão do solo; além da morte de cursos d’água que nascem na região.
“Como a mineração vai acontecer numa altitude maior que a da cidade, está na rota de vento que passa pela Serra do Curral. Além de desmatar, o que já atrapalha no arrefecimento da temperatura e na qualidade do ar, o empreendimento vai usar explosivos que jogam quilos e mais quilos de carbono direto no meio ambiente” explica a ativista ambiental e membro do “Tira o pé da minha serra”, Jeanine Oliveira.

O impacto da poeira da mineração também é uma preocupação. Seguindo a mesma ideia de estar em uma região de corrente de ar em direção à capital, existe o receio de que pó de minério de ferro e dos procedimentos de extração cheguem até regiões centrais da cidade.

Além dos impactos ecológicos, questões sociais preocupam os ambientalistas que se opõem ao projeto na Serra do Curral. O empobrecimento da região e a fuga de recursos financeiros é apontada como um efeito colateral em regiões em que grandes empreendimentos minerários são instalados.
“Existem importantes questões socioeconômicas. As comunidades vizinhas a grandes complexos de mineração tem um empobrecimento muito alto, porque quem tem dinheiro pra sair, não permanece no local, porque ninguém aguenta conviver com a poeira e com o tremor constantes”, avalia Jeanine Oliveira.
Há também o temor de que o processo de instalação das estruturas da mina danifique a adutora de água da captação de Bela Fama, em Nova Lima, responsável pelo abastecimento de cerca de 70% da população da capital.
A Tamisa/Complexo Minerário Serra do Taquaril foi procurada pela reportagem para se posicionar sobre as críticas, mas não respondeu ao contato.

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