quarta-feira, abril 17, 2024
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Revolução Tecnológica e Inteligência Artificial: Desemprego em Massa ou Novas Oportunidades?

O Impacto da Inteligência Artificial: A Revolução Tecnológica que Está Redefinindo o Mercado

Por Eduardo Alvim

Ah, a inteligência artificial, esse verdadeiro canivete suíço digital! Olhe só para essas estrelas do espetáculo, o ChatGPT e o midjourney, que estão invadindo o palco. E não é que elas têm o poder de fazer quase tudo? Elas são praticamente os Super-Heróis da Tecnologia: respondem a todas as perguntas, fazem o trabalho de um designer com aquele jeitinho artístico, compõem textos de tirar o fôlego e, espere por isso, até podem soltar a imaginação e programar como verdadeiros gênios da informática.

Mas, alto lá, que surge a grande questão: será que a inteligência artificial vai varrer empregos como um furacão e deixar tudo em frangalhos? Respire fundo, porque a resposta é sim… e não! Veja bem, é tipo aquela transformação mágica da sociedade: empregos podem sumir no ar, mas é como se estivéssemos jogando dinheiro e conhecimento em um caldeirão, misturando tudo para criar novas e surpreendentes receitas. É como o grande truque do enriquecimento social, onde alguns pratos vão embora, mas outros bem mais saborosos entram em cena. E se tem uma coisa que a história já nos mostrou é que a humanidade é uma mestre em adaptar, inovar e criar algo novo a partir do caos.

Assim como nos primórdios da Revolução Industrial, quando trabalhadores da indústria têxtil liderados por Ned Ludd protestaram contra a ameaça das máquinas, hoje enfrentamos um novo dilema. A ascensão da inteligência artificial nos traz questionamentos semelhantes sobre a substituição de trabalhadores por tecnologia. Na coluna desta semana, exploraremos como a história se repete de certa forma, com os temores da automação ecoando nos debates atuais sobre a substituição de empregos por IA e o impacto disso nas vidas das pessoas.

Na virada de 1779, Ned Ludd, após sofrer punições dos donos da fábrica onde trabalhava, destruiu máquinas de costura, gerando uma lenda associada à resistência às máquinas. Na Revolução Industrial do século XIX, fábricas substituíram trabalhadores por máquinas, reduzindo custos. Ex-trabalhadores protestaram contra a perda de empregos e a busca pelo lucro às custas da qualidade. Enquanto autores socialistas e defensores e intervencionistas frequentemente argumentam que a Revolução Industrial explorou cruelmente os trabalhadores pobres, uma pergunta surge: se essa exploração era tão flagrante, por que os trabalhadores não se alegraram quando foram dispensados? A resposta é clara – porque era bem melhor ter um emprego em uma fábrica, por piores que fossem as condições de trabalho, do que ficar desempregado e não ter dinheiro para comer, para morar ou se vestir. Este grupo de trabalhadores recém desempregados, formara o movimento conhecido como luditas, que foi bastante ativo entre 1811 e 1816.

O movimento ludita, entretanto, nasceu destinado à derrota, pois deter o progresso tecnológico se mostrava impossível. A busca por produtos têxteis mais acessíveis beneficiava a maioria, mas os luditas direcionaram sua revolta erroneamente. As condições econômicas da época eram precárias, com desemprego e declínio do poder de compra, mas a verdadeira culpa recaía sobre o Estado. No início do século XIX, o Reino Unido enfrentava conflitos com França e EUA, financiados por expropriações e aumento de taxas. Dívidas e emissão de moeda desvalorizaram a moeda, resultando em deterioração econômica. Essas medidas, combinadas a políticas financeiras inadequadas, exacerbaram a crise econômica. A automação industrial foi apenas um fator, sendo influenciada por complexos elementos políticos e econômicos que afetaram diretamente as dificuldades da população.

Com o passar do tempo, o termo “ludita” passou a descrever aqueles que se opõem à industrialização, automação, informatização e às novas tecnologias de maneira geral. Hoje em dia, o ludismo está conectado, por exemplo, ao movimento ambientalista mais radical. É importante ressaltar que não se trata de aceitar totalmente uma nova tecnologia ou de deixar de usá-la. Às vezes as preocupações que os impactos de uma nova tecnologia são pertinentes, e devem ser discutidos.

No entanto, o problema surge quando essa preocupação se manifesta na violação da propriedade de terceiros, seja por meio da destruição direta ou ao exigir intervenção estatal. Esse foi o caso dos luditas originais, que adotaram essas ações. E, de maneira similar, os neoluditas também adotam tais abordagens. Recentemente, uma nova tecnologia despertou o “ludita interior” de muitas pessoas: a inteligência artificial.

Embora o termo “Inteligência Artificial” já exista há muito tempo, ele ganhou grande popularidade no final do ano passado com o lançamento do chatGPT. Como você deve saber, o chatGPT é uma ferramenta que tem a capacidade notável de produzir textos semelhantes aos escritos por seres humanos. Ele responde a perguntas e gera ideias de maneira impressionante, não apenas em relação ao conteúdo, mas também à forma. Suas respostas muitas vezes não parecem terem sido geradas por um programa de computador.

No entanto, o termo “artificial” pode ser um pouco enganoso nesse contexto. Os algoritmos por trás do chatGPT requerem um extenso treinamento humano e não possuem uma verdadeira capacidade cognitiva. Eles operam com base em lógicas completamente distintas das nossas. Alguns pesquisadores, aliás, preferem o termo “modelo de linguagem grande” para descrever essa tecnologia.

De todo modo, a chamada Inteligência Artificial está firmemente estabelecida e veio para ficar. O termo “Inteligência Artificial” e a qualidade das respostas geradas por esses modelos de linguagem grande têm suscitado, no meio, preocupações recorrentes de um futuro distópico, onde robôs nos substituem, resultando em desemprego e nos subjugam, assemelhando-se às críticas feitas pelos luditas.

O que eles preveem se resume da seguinte forma: Primeiro, com o avanço contínuo da automação, mais e mais empregos serão perdidos. Segundo essas tecnologias inteligentes podem levar a um aumento na vigilância e à perda de liberdades. Terceiro, a Inteligência Artificial pode agravar a desigualdade, ampliando o abismo social entre os ricos e os pobres. Quarto, o desenvolvimento dessa tecnologia pode ter impactos ambientais significativos, especialmente no que diz respeito ao consumo de energia e ao esgotamento dos recursos naturais. Essencialmente, essas são as alegações do movimento.

Agora, preste atenção aos quatro pontos: desemprego, controle, desigualdade e impacto ambiental. Como discuti e demonstrei em textos anteriores, o maior responsável por esses problemas é, de longe, o Estado. No entanto, assim como os luditas do passado, esses “neo-luditas” culpam uma nova tecnologia, neste caso a chamada Inteligência Artificial, por questões causadas pelo poder estatal, o Leviatã. Pior ainda, eles clamam por mais intervenção estatal. Isso é exatamente o que políticos poderiam desejar: um bode expiatório para problemas que eles próprios causam. A abordagem de culpar uma inovação tecnológica e pedir por mais controle estatal pode servir como uma distração conveniente das questões subjacentes.

Não por acaso, países como Rússia, China, Irã, Síria, Cuba, Coreia do Norte e Itália já baniram o chatGPT. No entanto, contornar esse banimento não é uma tarefa difícil.

No curto prazo, a Inteligência Artificial certamente trará deslocamento de empregos. Não haverá muito que eles, ou até mesmo você, possam fazer a respeito. Como mencionei no início, deter o avanço tecnológico é uma missão fútil. Se a substituição por inteligência artificial for economicamente vantajosa, ela inevitavelmente ocorrerá. É natural que aqueles que perdem seus empregos se sintam injustiçados e revoltados, faz parte do processo de mudança.

Todo o processo de progresso da humanidade derivou da criação de tecnologias que tornam a mão de obra cada vez mais especializada e produtiva. Portanto, quando uma nova tecnologia emerge e suprime algumas ocupações ao reduzir a demanda de trabalho em determinadas áreas, essa liberação de recursos permite que as pessoas se envolvam em atividades onde sua produtividade é maior.

No entanto, é responsabilidade de cada pessoa encontrar outras atividades que gerem valor para os outros. A preocupação que surge aqui é que, ao examinarmos de forma abrangente, o sistema educacional brasileiro se revela inadequado para enfrentar o desafio da evolução das habilidades necessárias. O cenário que emerge é o de um país que, ao longo de décadas, permaneceu em um estado de estagnação, especialmente no que diz respeito à produtividade do trabalho. Os números concretos pintam um quadro claro: a produtividade laboral no Brasil praticamente estagnou desde a década de 1980. Ao longo desse período, o crescimento foi de cerca de 0,6% ao ano, o que resulta em um aumento acumulado de menos de 1%. Em outras palavras, a riqueza gerada no Brasil não registrou um aumento significativo, levantando questões profundas sobre o progresso econômico no país.

Essa estagnação é uma preocupação crítica, especialmente à luz das mudanças trazidas pela evolução tecnológica e pela Inteligência Artificial. À medida que a automação e a IA ganham espaço, a demanda por habilidades diferentes e mais especializadas surge. No entanto, o sistema educacional parece estar lutando para acompanhar essa transformação. A falta de adaptação do sistema educativo brasileiro para desenvolver habilidades que se alinhem com as necessidades do mercado de trabalho moderno pode agravar ainda mais os problemas de produtividade e crescimento econômico.

É evidente que é necessário estabelecer um sistema que permita a busca e a aquisição de conhecimento de forma mais acessível e eficaz, dado que atualmente isso ocorre principalmente por meio de cursos online, como os disponíveis no YouTube e em outras plataformas. Essa mudança ocorreu devido à incapacidade do sistema educacional brasileiro de resolver essa demanda. Em uma entrevista com o fundador da Hotmart, ele compartilhou sua visão de que a Universidade Brasileira não está preparada para lidar com a iminente revolução tecnológica no país. Ele apontou que com a inevitável mudança tecnológica, dezenas de milhões de pessoas precisarão de treinamento e habilidades específicas. No entanto, as universidades e escolas brasileiras estão simplesmente ignorando esse problema, não por falta de compreensão, mas sim devido à forma como o ensino está estruturado no Brasil.

O atual formato de ensino no Brasil, centralizado no Ministério da Educação (MEC), torna praticamente impossível que essas instituições se adaptem de maneira eficaz a essa nova demanda. A rigidez do sistema e a burocracia associada impedem a rápida adaptação às mudanças tecnológicas e às necessidades emergentes do mercado de trabalho.

Foi nesse contexto que surgiu a plataforma Hotmart. O fundador percebeu a lacuna entre a demanda por treinamento em habilidades tecnológicas e a incapacidade das instituições tradicionais de ensino em atender a essa necessidade. A plataforma se propôs a preencher essa lacuna, proporcionando acesso a cursos e treinamentos online que possibilitam às pessoas adquirirem as habilidades necessárias para se destacar na era da revolução tecnológica. Esse modelo se mostrou altamente bem-sucedido, resultando em um faturamento bilionário para a Hotmart.

Em última análise, essa situação destaca a urgente necessidade de reformas no sistema educacional brasileiro, a fim de capacitá-lo a enfrentar os desafios e as oportunidades trazidas pela evolução tecnológica. A criação e o sucesso da plataforma Hotmart demonstram que existe uma demanda real por educação flexível e atualizada, que se adapte às mudanças rápidas do cenário tecnológico e prepare os indivíduos para o futuro do trabalho.

No longo prazo, os padrões de trabalho se reconfigurarão. O uso da IA seguirá o caminho de outros avanços tecnológicos, aumentando a produtividade, reduzindo custos e melhorando a qualidade de vida de muitos. Esse processo também criará novos empregos e oportunidades. É nesse momento que surgem ocupações e serviços que nunca poderíamos imaginar. O avanço tecnológico é uma característica intrínseca de um mercado competitivo, onde inovadores se esforçam continuamente para gerar cada vez mais valor a custos cada vez menores. Adaptar-se a essa dinâmica é crucial para aproveitar as oportunidades que a mudança traz.

Vários empregos manuais, que anteriormente consistiam em repetir mecanicamente uma mesma tarefa nas linhas de montagem de fábricas, já foram abolidos e substituídos por outros. Com a Inteligência Artificial, a história seguirá um padrão similar. Os temores desses “neo-luditas” de que a IA resultará em desemprego, facilite o controle, aumente a desigualdade e impacte negativamente o meio ambiente estão, na verdade, direcionados de forma equivocada. Como mencionei anteriormente, a culpa recai sobre o Estado, e é crucial que esses temores sejam confrontados por meio da contenção das interferências estatais.

Enquanto isso, é importante que as pessoas aprendam a explorar plenamente os benefícios da Inteligência Artificial. Ao invés de se concentrar nos temores infundados, é fundamental aproveitar as potencialidades dessa tecnologia. A IA pode trazer eficiência, automação de tarefas repetitivas e aprimorar diversos setores, desde cuidados de saúde até a otimização de processos industriais. Portanto, em vez de temer a mudança, é mais produtivo e construtivo encontrar maneiras de aproveitar ao máximo as capacidades da Inteligência Artificial, adotando uma abordagem que incentive o progresso, a inovação e a evolução do mercado de trabalho.

EDUARDO ALVIM É UM ENTUSIASTA DA ESCOLA AUSTRÍACA DE ECONOMIA, QUE VALORIZA A LIBERDADE INDIVIDUAL, O LIVRE MERCADO E A NÃO INTERVENÇÃO ESTATAL NA ECONOMIA. ACREDITA QUE O BITCOIN É UM IMPERATIVO MORAL, POIS A AUTO CUSTODIA IMPEDE O FINANCIAMENTO DE GUERRAS, CONFLITOS E IMORALIDADES SEM O LIVRE CONSENTIMENTO DAS PESSOAS.

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