quinta-feira, abril 18, 2024
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Mentes criativas são mais vulneráveis ​​a doenças mentais – mas uma profissão escapa dessa ‘maldição’; saiba qual

Pesquisadores acreditam que tanto a doença mental quanto a neurodivergência podem melhorar o pensamento criativo

As doenças mentais – que variam desde ansiedade e depressão até transtornos de personalidade ou psicose – têm sido associadas ao pensamento criativo há muito tempo. Não é por acaso que mentes brilhantes e criativas, como o ator Robin Williams, o comediante Stephen Fry e a escritora Virginia Woolf lutavam contra o transtorno bipolar ou que o matemático John Nash teve sua luta contra a esquizofrenia imortalizada no filme “Uma mente brilhante”.

Em artigo publicado no site especializado The Conversation, Gil Greengross, professor de Psicologia, Na Universidade Aberystwyth, no Reino Unido, explica que muitos pesquisadores acreditam que tanto a doença mental quanto a neurodivergência podem melhorar o pensamento criativo.

Pessoas com sintomas leves de psicose, por exemplo, experimentam divagações mentais e pensamentos desorganizados.

“Isso pode ser um desafio para o foco, mas pode ser benéfico para estimular a criatividade”, afirma Greengross.

Ele também cita o exemplo da cientista Temple Grandin, que credita sua experiência de estar no espectro do autismo pelo desenvolvimento de uma máquina de abraços que ajuda a lidar com o gado de uma forma mais humana.

Entretanto, de acordo com um estudo publicado feito por sua equipe, publicado na revista científica BJPsych Open, existe uma vertente criativa que escapa dessa maldição: os mágicos.

Enquanto a maioria das profissões criativas cria ou performa, os mágicos fazem os dois: criam seus próprios shows e os realizam, o que os torna únicos. Para entender se mágicos também são mais vulneráveis às doenças mentais ou neurodivergência, os pesquisadores analisaram 195 mágicos, do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Os participantes tinham, em média, 35 anos de experiência na prática de magia. Todos preencheram questionários avaliando suas tendências em relação a traços autistas e psicóticos. Em seguida, suas respostas foram comparadas a uma amostra de não-mágicos com faixa etária e distribuição de gênero semelhantes, bem como a outros grupos criativos, como comediantes, poetas, atores e músicos.

Os resultados mostraram que os mágicos não apresentaram qualquer predisposição para traços autistas, pontuando de forma semelhante à população em geral. No entanto, eles tiveram pontuações mais baixas em quase todos os sintomas psicóticos em comparação com a amostra geral e outros grupos criativos.

O pesquisador ressalta que os mágicos demonstraram uma capacidade muito elevada de concentração, níveis mais baixos de ansiedade social e menos casos de experiências incomuns, pensamentos distorcidos e alucinações. Essas características são altamente vantajosas para seu trabalho, dado que permitem que eles se concentrem e prestem atenção ao seu ofício sem distrações.

Os mágicos também não apresentavam qualquer tendência para comportamento anti-socia, tinham bom autocontrole e apresentaram pontuação baixa em sintomas psicóticos, o que os tonar mais parecidos com os cientistas, por exemplo.

“Em última análise, o nosso estudo ilustra que nem todos os indivíduos criativos são criados iguais e que a associação entre criatividade e psicopatologia é mais complexa do que se pensava anteriormente”, conclui o autor.

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