quinta-feira, abril 18, 2024
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Holding pretende lançar novos modelos nacionais de carros híbridos e elétricos

Dono de marcas como Fiat, Peugeot, Jeep e RAM, conglomerado pretende lançar quatro plataformas de modelos híbridos e elétricos a partir de 2024. Presidente da Stellantis para a América do Sul, Antonio Filosa, em entrevista ao Correio – (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press).

A aposta da Stellantis para a estratégia de descarbonização no mercado brasileiro está na tecnologia nacional, que vem sendo desenvolvida desde o ano passado. A holding, dona das marcas como Fiat, Citroën, Peugeot, Jeep e RAM, pretende lançar quatro plataformas para modelos híbridos e elétricos a partir de 2024.

“Contamos com 4.000 engenheiros, 1.500 internos e 2.500 terceirizados, que é o que nos ajuda, nesse caso, a desenvolver essa tecnologia. Então temos quatro plataformas que já foram apresentadas com níveis diferentes e graduais de eletrificação. E, a partir do próximo ano, essas plataformas, que são 100% localizadas, serão aplicadas nos produtos novos, que também serão 100% localizados”, afirma o presidente da Stellantis para a América do Sul, Antonio Filosa, em entrevista ao Correio. Contudo, ele não revela os preços dos novos modelos que serão lançados nos próximos anos. As atualizações dos modelos Pulse e Fastback, da Fiat, estão entre as novidades do conglomerado a partir de 2024, dependendo de cada marca.

“Temos cinco marcas no Brasil. Temos mais ou menos 30 a 35 modelos nacionais e alguns deles serão atualizados, outros vão deixar espaço para novos modelos, como sempre a indústria vem fazendo”, explica o executivo que diz estar “mais otimista do que nunca” com relação ao mercado brasileiro e com a progressão da tendência de avanço da descarbonização, que engloba a combinação da motorização híbrida da energia térmica flex e eletrificação, denominada bio-hybrid. “Estou incrivelmente eletrizado”, brinca.

Filosa acredita que o país ainda tem capacidade para voltar a fabricar mais de 4 milhões de unidades, o dobro da produção atual. “O Brasil pode voltar, sim, a produzir 4 milhões de veículos. Agora, o volume está baixinho, em torno de 2 milhões. Acredito que, no ano que vem, já melhora. E, se continuar essa lógica de baixarem os juros, com a inflação mais ou menos controlada e o PIB (Produto Interno Bruto) aumentando, dará um gás para a indústria”, aposta, em tom otimista.

Com 25% do mercado do continente sul-americano, o conglomerado deve investir R$ 16 bilhões até 2025, segundo Filosa. “Vamos continuar investindo no Brasil e, a partir de 2026 vamos investir mais ainda, dependendo de novas definições”, diz. Ele ressalta que 13% é a parcela do Brasil na emissão de CO2, e que os veículos automotores representam 6%. “A descarbonização é muito geral como um programa de reformulação das indústrias, incluindo agricultura e pecuária e depende de soluções regionais”, afirma.

De acordo com o executivo italiano, as quatro plataformas híbridas foram desenvolvidas pelo Tech Center Stellantis na América do Sul, em associação com fornecedores, pesquisadores e outros parceiros que constituem o ecossistema de inovação impulsionado pela empresa. Ele destaca que o desenvolvimento das novas tecnologias de hibridização faz parte do plano estratégico de longo prazo da Stellantis, Dare Forward 2030, que prevê a descarbonização de processos e produtos da empresa até 2038, com redução das emissões em 50% já em 2030.

Impacto social

O desenvolvimento dessa tecnologia Bio-Electro, lançada no início de agosto, está baseado em três pilares conforme dados de Filosa: Academy: abrange informação, formação e recrutamento, Lab: incubação de ideias e desenvolvimento de ecossistema e Tech: materialização de soluções e da inovação. “Existem soluções diferentes, dependendo do país. A China, que é a maior emissora, não tem saída para a descarbonização. O Brasil tem saídas diferentes, como a que estamos fazendo”, destaca. Segundo ele, as baterias dos carros elétricos representam 60% do custo desses veículos, mas a tendência é de condensação da capacidade das baterias e maior durabilidade.

A fim de ganhar competitividade e ser eficiente no Brasil, a gigante do setor automotivo foca em soluções e fornecedores localizados, segundo o presidente da montadora. A fábrica mais nova do grupo, em Goiana (PE), fundada em 2015, é a mais moderna da corporação e vem transformando a região. O volume de empregos formais saltou de 12.549, em 2010, para 22.384, em 2022, aumento de 78,4% no período, sendo que 71% desses funcionários residem em Goiana e em cidades do entorno.

O polo automotivo de Goiana emprega 48,1% desses trabalhadores do município pernambucano, percentual 272,8% superior ao do primeiro ano de um levantamento feito pela Ceplan — Consultoria Econômica e Planejamento. “Desde que instalamos lá, houve aumento expressivo da arrecadação, a criminalidade caiu em torno de 40% e o dado mais interessante de lá é que o abandono escolar de adolescentes e de crianças caiu de 10% a 15% para 0,8%. Ou seja, a criança fica na escola porque vê o pai, o tio, o irmão trabalhando, recebendo salário, com benefícios. O impacto social é gigantesco”, resume Filosa, acrescentando que a participação da unidade no PIB do país e do estado é crescente, conforme dados da Ceplan.

O executivo italiano relembra que previa a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022 e aposta que, neste ano, o economista Javier Milei, candidato de extrema direita à presidência da Argentina, deverá ser o vencedor.

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